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A Tyrrell, de 1980 a 1997 (ou 1998)

por Tiago Crispim, em 14.01.11

Continua hoje a história da Tyrrell, que deixámos em 1980. Depois de um óptimo início, com um título de construtores em 1971 e dois de pilotos em 71 e 73 conquistados por Jackie Stewart, a equipa de Robert Kenneth “Ken” Tyrrell já estava a entrar em declínio.

 

Se em 1980 foi a primeira vez na história da equipa que se terminou o campeonato sem um pódio sequer, em 83 a Tyrrell alcançou outro marco negativo.

 

 

 

Mas antes disso, para respeitar a ordem cronológica, em 1981 a equipa alinhou com o norte-americano Eddie Cheever e o argentino Ricardo Zunino. Cheever foi contratado à Osella e Zunino à Brabham, para substituir os anteriores pilotos, Jean-Pierre Jarier, que saiu para a Ligier, e Derek Daly, que se mudou para a CART. Logo no início de 1981, após duas corridas, Zunino foi substituido por Michele Alboreto. A Tyrrell terminou o campeonato na oitava posição.

 

Em 1982 Alboreto manteve-se mas Cheever foi subistituido pelo Sueco Slim Borgudd, que além de piloto era baterista e chegou a gravar algumas músicas com os Abba. Ao fim de três corridas o seu patrocínio acabou e sem cerimónias, Ken Tyrrell substiuiu-o por Brian Henton. A equipa terminou a temporada em sexto lugar.

 

 

Para 1983 Alboreto mantém-se, apesar de um convite para substituir Gilles Villeneuve na Ferrari, e o seu companheiro de equipa é o norte-americano Danny Sullivan. No Grande Prémio de Detroit, disputado num circuito citadino, Alboreto vence a corrida. Foi a última das 23 vitórias da história da equipa.

 

No ano seguinte a dupla de pilotos mudou novamente. Entraram o inglês Martin Brundle e o alemão Stefan Bellof. Mas foi outro ano desastroso para a Tyrrell. A equipa foi desclassificada e os pilotos perderam todos os pontos do campeonato por terem posto uma esfera de chumbo no tanque de combustível. A ideia era atingir o peso mínimo permitido pelas regras, já que eram a única das equipas a correr ainda com motores naturalmente aspirados. Todas as outras usavam turbo.

 

Em 1985 os motores Ford Cosworth foram substítuidos pelos Renault Turbo mas os pódios continuaram a não surgir no caminho da equipa. No dia 1 de Setembro desse ano, Bellof, que corria em Spa Francochamps, na categoria Sport Protótipos, sofre uma colisão com o belga Jacky Ickx. O alemão tentou passar Ickx pela esquerda e a dianteira direita de Beloff tocou na parte traseira esquerda do belga. Despistaram-se os dois. Jackie Ickx conseguiu sair do carro sem ajuda mas  o Porsche de Bellof bateu de frente no rail de protecção e incendiou-se. O piloto morreu a caminho do hospital do circuito.

 

 

Em 2009 um grupo de 217 pilotos e ex-pilotos de F1 consideraram Stefan Bellof o 35º melhor piloto da história. A sondagem foi feita pela revista britânica Autosport.

 

Durante três corridas a Tyrrell correu apenas com um carro mas depois Ivan Capelli e Phillipe Streiff correram nas últimas três provas desse ano.

Em 1986 Streiff foi contratado como piloto fixo e Brundle continuou na equipa. Ficaram com o sétimo lugar no campeonato de construtores, posição que repetiram em 1987, ano em que regressaram aos motores Ford Cosworth. Johnatan Palmer subistituiu Brundle, que saiu para a Zakspeed.

 

Mais um ano, mais uma época desapontante em 1988, agora com Palmer e outro inglês, Julian Bailey. Mas em 1989 a Tyrrell conseguiu o regresso de Alboreto à equipa, para fazer parceria com Johnatan Palmer. O italiano, que foi o último a conquistar uma vitória para os carros de Ken Tyrrell, alcançou um pódio no México mas a meio do campeonato deixou a equipa para ir para a Larrousse. O seu substituto, Jean Alesi. Apesar do ano atribulado, a Tyrrell acabou em quinto lugar da geral.

 

 

Entramos nos anos 90, com Alesi e o japonês Satoru Nakajima. Este foi o ano em que Alesi deu nas vistas, ao liderar durante 30 voltas, à frente de Ayrton Senna, o GP do Mónaco. Mais uma vez a Tyrrell terminou em quinto o campeonato de construtores.

Jean Alesi saiu para a Ferrari no fim do ano e para o lugar de companheiro de equipa de Nakajima foi o italiano Stefano Modena. Os motores Ford passaram a ser Honda, e a equipa conquistou mais um quinto lugar.

 

Se a Tyrrell deixou de ser uma das principais equipas para se tornar uma das melhores equipas médias (atrás da McLaren, Williams, Ferrari e Benetton) os anos 90 marcaram a queda a pique da marca.

 

Para 93 a Tyrrell contou com Andrea De Cesaris (conhecido pela alcunha pouco lisonjeira de Andrea De Crasheris) e o “pay-driver” Olivier Grouillard. Mesmo assim não foi muito mau. Um sexto lugar na geral. Pior foi no ano seguinte.

 

 

Com Ukyo Katayama, De Cesaris e os motores Yamaha que patrocinavam o japonês é que foi pior. Último lugar na classificação, sem pontos, empatada com a Lola.

 

Como era difícil fazer temporada pior, em 94 Mark Blundell, que entrou em lugar de De Cesaris, conseguiu um pódio, o último da Tyrrell, em Espanha. No final, sexto lugar no campeonato de construtores.

 

Para 1995 Blundell foi dispensado por falta de patrocinadores e rumou à McLaren. O seu substituto foi Mika Salo, que conseguiu marcar alguns pontos nesse ano e garantiu o nono lugar para a marca. No ano seguinte repetiram-se os pilotos e a classificação final.

 

Em 1997 Mika Salo e Jos Verstappen pilotaram o Tyrrell 025 com motores Ford Cosworth até ao décimo lugar na tabela de construtores, graças aos dois pontos obtidos por Salo.

 

 

A Tyrrell correu no campeonato de F1 pela última vez em 1998. A equipa já tinha sido vendida por Ken Tyrrell à British American Racing, propriedade da British American Tobacco e apareceu pela última vez neste ano, antes de se passar a chamar BAR. Os últimos pilotos da PIAA Tyrrell, foram Ricardo Rosset e Toranosuke Takagi, ao volante do Tyrrell 026, com motor Ford JD Zetec-R 3.0 V10.

 

Foram 26 anos de Grandes Prémios com 23 vitórias, 14 pole positions, 20 voltas mais rápidas, 77 Pódios, dois títulos de pilotos com Jackie Stewart, em 1971 e 1973 e um campeonato de Construtores em 1971.

 

Ken Tyrrell não sobreviveu muito tempo à sua equipa. Morreu de cancro, em 2001.

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publicado às 17:46


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O Volta Mais Rápida é um blog sobre F1. O autor é um curioso, apaixonado pela Fórmula Um desde que se lembra, embora a sua carreira ao volante se fique pelos karts e pela Playstation. Trabalhou em alguns meios de comunicação como jornalista e hoje é técnico de rádio na Universidade Autónoma de Lisboa. Neste espaço quer dar a conhecer melhor o universo deste desporto e talvez despertar a atenção e a curiosidade de alguns interessados.



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