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Elio de Angelis, primeira parte

por Tiago Crispim, em 18.05.11

“O último gentleman driver”. Dito assim parece que todos os pilotos que se seguiram eram disinteressantes, sem carácter, educação ou honra. Não. Mas nenhum era como Elio de Angelis.

 

Nascido em Roma numa familia abastada com negócios no sector da construção, de Angelis pode ter ganho o gosto pela velocidade com o pai, que pilotava barcos de corrida. Começou, como de costume, nos karts mas aos 19 anos mudou-se para o campeonato italiano de Fórmula 3, onde se sagrou campeão. Em 1978 correu na Fórmula 2 com a Minardi-Ferrari e depois com a ICI British F2 Team.

 

Nessa altura teve uma proposta da Ferrari. Foi a sua primeira experiência num F1.

 

 

Testou o 312T3 em conjunto com Eddie Cheever, Gilles Villeneuve, Ronnie Peterson e Mario Andretti. O escolhido para ser companheiro de equipa de Carlos Reutmann foi Villeneuve mas de Angelis manteve-se como piloto de testes durante uns tempos. A sua promoção a piloto principal da scuderia chegou a ser pedida pela imprensa depois do acidente de Villeneuve em Long Beach, mas a Ferrari deu um voto de confiança ao canadiano e Elio de Angelis só se estreou no ano seguinte.

 

Foi só em 1979 que se juntou ao grande circo. Assinou pela Shadow e correu o seu primeiro GP de F1, terminando em sétimo uma corrida em que apenas 11 carros cortaram a meta. Ainda assim ficou à frente de nomes como Jochen Mass, Clay Regazzoni, Gilles Villeneuve, James Hunt, Niki Lauda e muitos mais. (Já agora quem venceu foi Jacques Laffite num Ligier-Ford).

 

 

Quando assinou pela Shadow, em 1979, o italiano tinha patrocinador para apenas metade da temporada; o resto do dinheiro pediu ao seu pai. Mas no ano de 1980 Elio assinou pela Lotus e num ano pagou o dinheiro emprestado pelo pai.

 

Foi nesta altura que começou a utilizar o seu icónico capacete ao estilo “Darth Vader”, da Guerra das Estrelas. O Simpson Bandit. A versão mais recente deste modelo é utilizada pelo Stig do programa de motores inglês Top Gear.

 

 

No ano de 1980 esteve perto da primeira vitória em Interlagos mas terminou atrás do Renault de René Arnoux. De acordo com o piloto, foi bom não ter sido o primeiro porque ainda não estava preparado para fazer uma temporada consistente ao mais alto nível. Nesse ano, terminou o campeoanto em sétimo. Os bons resultados permitiram que de Angelis começasse a ser reconhecido pelo seu talento e não pelo seu dinheiro, algo pelo qual sempre tinha lutado. Numa entrevista revelou que sempre quis afastar-se da imagem de rico, de menino do papá, e revelou que gostava de tomar os caminhos mais complicados para alcançar as suas metas. “O prazer é maior dessa maneira” confidenciou.

 

Em 1982 chegou finalmente a primeira vitória de Elio de Angelis num Grande Prémio. Foi no circuito de Österreichring , na Áustria. A corrida foi emocionante e digna da história. Primeiro, porque Nelson Piquet fez aí a primeira paragem nas boxes com reabastecimento e mudança de pneus planeada na história. Depois porque foi a corrida em que a diferença do primeiro para o segundo lugar foi mais curta. Mas já lá vamos.

 

Imaginem-se nesse GP. Prost liderava depois do abandono de Piquet. Atrás seguiam de Angelis e Keke Rosberg. A cinco voltas do fim, o Renault de Alain Prost teve um problema eléctrico e abandonou a corrida. Elio de Angelis liderava mas Rosberg estava cada vez mais próximo. Na última volta, a distância era de 1.6 segundos entre os dois, e na derradeira curva, o Williams de Rosberg já estava colado ao Lotus.

 

O finlandês atacou, de Angelis respondeu travando mais tarde e ganhando a trajectória de dentro. Isso fez com que alargasse a saída e nessa altura Rosberg aproveitou para acelerar. Quando cortaram a meta, o finlandês ficou a 0.050 segundos do italiano, menos de metade do comprimento de um carro!

 

 

 

Amanhã continua a história de Elio de Angelis, de 1983 até à sua morte.

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publicado às 18:16


Onde é que veio parar?

O Volta Mais Rápida é um blog sobre F1. O autor é um curioso, apaixonado pela Fórmula Um desde que se lembra, embora a sua carreira ao volante se fique pelos karts e pela Playstation. Trabalhou em alguns meios de comunicação como jornalista e hoje é técnico de rádio na Universidade Autónoma de Lisboa. Neste espaço quer dar a conhecer melhor o universo deste desporto e talvez despertar a atenção e a curiosidade de alguns interessados.



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