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Jochen Rindt e a temporada de 1970

por Tiago Crispim, em 28.10.11

Jochen Rindt chega à temporada de 1970 na Gold Leaf Team Lotus, a primeira equipa de F1 com patrocinadores pintados no carro (desde 1968).

O austríaco tinha ganho a sua primeira corrida no ano anterior, em Watkins Glen. Mas para este ano a Lotus tinha uma arma secreta, o Lotus 72.

Que não estava contudo pronto a tempo da primeira corrida do ano, na África do Sul, que foi ganha por Jack Brabham.

 

A primeira corrida que Rindt venceu nesse ano foi no Mónaco, a terceira corrida do campeonato. O austríaco não estava sequer nos cinco primeiros, (partiu em oitavo) mas na volta 27 Rindt já era terceiro, tendo-se destacado do pelotão e aproveitado os abandonos de Jean-Pierre Beltoise, Jacky Ickx e Jacky Stewart. Pouco depois foi Denny Hulme que perdeu algumas posições com problemas de caixa. Chris Amon foi obrigado a desistir na volta 62 com uam falha na suspensão e assim Rindt ascendeu ao segundo lugar. Jack Brabham liderava, com 15 segundos de vantagem, mas o austríaco começou a aumentar o ritmo até se chegar à traseira de Brabham. O piloto australiano resistiu às investidas do austríaco mas ao ultrapassar um retardatário despistou-se, na última curva da última volta. Jochen Rindt venceu a corrida, seguido de Jack Brabham que conseguiu recuperar a tempo de perder mais posições.

 

Rindt em acção no Mónaco, 1970

 

Na corrida seguinte Rindt não terminou a prova com problemas de motor, mas no Grande Prémio da Holanda, no circuito de Zandvoort voltou a vencer a prova. Nessa corrida Piers Courage, amigo de Rindt, perdeu a vida quando o seu De Tommaso partiu a direcção ou a suspensão e o carro subiu uma das dunas de Zandvoort e irrompeu em chamas. O piloto morreu quando uma das rodas se soltou do carro e bateu na sua cabeça.

 

No início desse mesmo mês Bruce McLaren, outro amigo de Rindt, morreu durante os treinos no M8D, o carro que McLaren construiu para a Can-Am, onde competia como construtor e piloto.

 

Mesmo depois de dois amigos terem perdido a vida, Jochen Rindt venceu as três corridas seguintes, em Charade, França, Brands Hatch, Inglaterra e Hockenheimring na Alemanha, já ao volante do Lotus 72. Esta última deveria ter-se realizado em Nürburgring mas Rindt, representante da GPDA (Associação dos Pilotos de F1) foi reclamar mais segurança à organização do GP. Os organizadores alemães não conseguiram cumprir a lista de reclamações dos pilotos e a GPDA votou contra a corrida naquele circuito.

 

O austríaco já tinha sofrido um grave acidente no ano de 1969, quando a sua asa traseira se partiu e o piloto teve um traumatismo craniano e fracturou o maxilar. Na sua primeira vitória na F1 o seu companheiro de equipa, Graham Hill, também teve um grave acidente e partiu as duas pernas. A morte era normal entre os pilotos nesta altura, mas com uma filha pequena, fruto do casamento com a modelo finlandesa Nina Lincoln, o austríaco decidiu que este seria o seu último ano na categoria. Tinha a ideia de abrir um negócio de roupa desportiva com o seu nome.

 

 Jochen e Nina Rindt

 

No GP da Áustria Rindt não terminou, tal como a corrida seguinte, o GP de Itália.

O piloto recebeu a ordem de aquecer o carro do companheiro de equipa, Emerson Fittipaldi, estreante na F1 esse ano. Correu no carro sem as asas montadas, supostamente porque seria melhor dado o perfil do circuito. Vários pilotos correram nesse dia sem asas antes de Rindt, que os copiou. Se o carro ia demasiado rápido, se perdeu o controle do Lotus ou se teve uma falha mecânica ninguém sabe ao certo. À partida o material dos travões era demasiado frágil mas o que se sabe é que a 240 Km/h o seu carro foi contra os rails de protecção.

 

Ridnt não gostava de cintos de segurança. Especialmente os cintos de seis pontas que eram usados na altura. Ele achava que em caso de acidente era mais seguro estar sem cinto para poder sair do carro em caso de incêndio. Nos treinos do GP de Itália ele não estava sem cinto mas não prendeu a alça nas virilhas, que obrigava o piloto a ficar no sítio, sem deslizar para o interior do carro. E foi exactamente isso que aconteceu. Por causa desse pormenor o cinto foi a causa das suas lesões.

 

Os restos do carro de Rindt depois do seu acidente fatal

 

Fã de Wolfgang Von Trips quando era novo, Rindt despistou-se quase no mesmo sítio em que o seu ídolo perdeu a vida.

 

O GP de Itália foi ganho por Clay Regazzoni, num Ferrari. Com apenas três corridas para o final, o austríaco estava bem posicinado para se sagrar campeão mas Jacky Ickx podia tirar-lhe o título se vencesse todas as provas. Venceu a primeira delas no Canadá mas a segunda foi ganha por Emerson Fittipaldi. Foi o primeiro brasileiro a vencer uma corrida, ainda por cima no seu ano de estreia na F1. A vitória de Fittipaldi garantiu o título a Rindt, mesmo com outra vitória de Ickx a fechar o campeonato.

 

Consta que ainda houve discussão sobre a atribuição do título a um piloto morto. Mas nesta altura a morte fazia parte do desporto motorizado.

Quinze pilotos morreram nos anos 50, doze nos anos 60 e dez nos anos 70 mas apenas um foi campeão postumamente.

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publicado às 12:30



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O Volta Mais Rápida é um blog sobre F1. O autor é um curioso, apaixonado pela Fórmula Um desde que se lembra, embora a sua carreira ao volante se fique pelos karts e pela Playstation. Trabalhou em alguns meios de comunicação como jornalista e hoje é técnico de rádio na Universidade Autónoma de Lisboa. Neste espaço quer dar a conhecer melhor o universo deste desporto e talvez despertar a atenção e a curiosidade de alguns interessados.



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