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Maurice Trintignant

por Tiago Crispim, em 09.01.13

Vi no outro dia o filme 'Amour' com o agora octogenário Jean-Louis Trintignant, que em 1966 fez o papel de um piloto de corridas em 'Um Homem E Uma Mulher'. Curiosamente está a agarrar a cara da protagonista nos dois cartazes, mas não é isso que interessa. O ator foi escolhido para esse papel por ter crescido no meio dos carros. Jean-Louis Trintignant era sobrinho de Louis e Maurice Trintignant, ambos pilotos.

O primeiro faleceu em 1933 durante uns treinos na pista de Péronne mas Maurice Trintignant chegou a andar na Fórmula 1.

 

 

Maurice Trintignant em 1955

 

Maurice começou a correr em 1938, tendo-se estreado no Bugatti onde tinha antes morrido o seu irmão, mas viu a sua carreira interrompida em com a Segunda Guerra Mundial. O seu Bugatti foi guardado no celeiro e depois da guerra foi restaurado para participar na Coupe de la Libération, em 1945. Infelizmente Trintignant abandonou a corrida com o filtro de óleo entupido, mesmo antes desta começar, pois tinha-se esquecido de limpar os dejetos de rato se se tinham acumulado nos seis anos de guerra. Foi então que ganhou a sua alcunha, Le Petoulet, ou "cocó de rato".

 

Certamente sem gostar da sua nova alcunha, Maurice Trintignant correu a partir de 1947 pela Simca Gordini. No ano seguinte, após ter vencido duas corridas, em Perpignan e em Montlhéry, teve um grave acidente em Bremgarten, Suíça. Trintignant perdeu o controle do carro na curva que hoje leva seu nome, chocando contra a proteção lateral e sendo atirado para o meio da pista, onde quase foi atropelado por Giuseppe Farina e Robert Manzon. Trintignant foi declarado clinicamente morto; levado ao hospital, permaneceu uma semana em coma com graves lesões no baço, além de ter perdido quatro dentes. O subistituto do francês foi o então estreante e desconhecido Juan Manuel Fangio.

 

 

Trintignant num Simca Gordini em 1950

 

Trintignant voltou às pistas em 1949 e no ano seguinte, o primeiro do campeonato de Fórmula 1, inscreveu-se em apenas duas corridas e não terminou nenhuma. Como era habitual na altura, o piloto também se increveu nas 24 Horas de Le Mans, que abandonou depois de 34 voltas.

Em 1951 a sua sorte não melhorou. Entrou em quatro corridas, não terminou nenhuma na F1 e também não cruzou a meta em Le Mans. Em 52 venceu os seus primeiros pontos na categoria de topo do desporto motorizado. Quinto lugar no GP de França. Fora do circuito da F1 Trintignant conseguia algumas vitórias em corridas extra-campeonato, mas os Gordini não ofereciam competitividade suficiente para mais. No ano seguinte conseguiu mais dois quintos lugares.

 

Mesmo sem grandes feitos na carreira, o francês conseguiu chamar a atenção de Enzo Ferrari, que convidou Maurice a correr para ele em 1954. Nesse ano Trintignant cumpriu a aposta, terminando em quarto no mundial de pilotos, com um segundo lugar na Bélgica, terceiro na Alemanha, o quarto lugar na Argentina e o quinto em Inglaterra e Itália. Fora do campeonato venceu ainda várias corridas, entre as quais as 24 Horas de LE Mans com um Ferrari 375 LM partinhado com Froilán González.

 

 

Trintignant num Ferrari 625 durante o GP da Argentina

 

Em 1955 a sua boa forma manteve-se e nesse ano venceu a sua primeira corrida na F1, no Mónaco, tornando-se o primeiro francês a ganhar uma corrida na categoria. No fim do ano repetiu o quarto lugar. Em 56 mudou-se para a Vanwall e disputou quatro corridas que abandonou com problemas mecânicos. Nesse ano ainda juntou-se à Bugatti, que pretendia fazer um regresso às corridas, mas o carro revolucionário de motor transversal não se mostrou nada competitivo e abandonou ao fim de 18 voltas. Como agora já era costume, nas corridas extra-campeonato e extra-Fórmula 1, pela Ferrari, Trintignant continuava a acumular bons resultados, como um terceiro em Le Mans com Olivier Gendebien ou uma vitória nos 1000km da Suécia, em parceria com Phil Hill.

 

A primeira vitória de Trintignant na F1

 

Voltou à Ferrari em 57 onde correu três corridas e pontuou em duas; um quinto posto no Mónaco e um quarto em Inglaterra. Em 58 assinou pela Cooper para a F1 e pela Aston Martin para o mundial de marcas (carros desportivos). Voltou a vencer no Mónaco e terminou em terceiro na Alemanha, o que lhe valeu um sétimo na geral. Em 59 foi terceiro no Mónaco, quarto na Alemanha e Portugal (Monsanto), quinto em Inglaterra e segundo nos Estados Unidos, onde obteve também a volta mais rápida da corrida. Acabou o ano com um quinto lugar na tabela geral de pilotos. Fora da F1 terminou em segundo em Le Mans e ganhou pela segunda vez consecutiva o GP de Pau na F2.

 

Trintignant continuou a correr na F1 até 1964 mas não pontuou a não ser em Nurburgring, com um BRM com que corria em nome próprio. Ficou em quinto. Fora do grande circou venceu o GP de Pau (que deixara de ser uma prova de F2 e passou a ser uma corrida extra-campeonato) em 62 com um Lotus e chegou a entrar no Dakar em 1982, com 64 anos, ao volante de um Toyota BJ, mas não conseguiu terminar a prova.

 

 

A escultura em homenagem a Maurice Trintignant

 

Dedicou-se à vinicultura, já que era filho de um; e produziu uma série de vinhos intitulada Petoulet. Morreu em 2005 com 87 anos e em 2010 foi revelada uma estátua em bronze, homenagem da cidade de Vergèze, onde chegou a ser presidente da câmara. Na escultura Maurice Trintignant aparece ao volante de um Bugatti T-51.

 

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publicado às 13:31

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O Volta Mais Rápida é um blog sobre F1. O autor é um curioso, apaixonado pela Fórmula Um desde que se lembra, embora a sua carreira ao volante se fique pelos karts e pela Playstation. Trabalhou em alguns meios de comunicação como jornalista e hoje é técnico de rádio na Universidade Autónoma de Lisboa. Neste espaço quer dar a conhecer melhor o universo deste desporto e talvez despertar a atenção e a curiosidade de alguns interessados.



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