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Análise às equipas depois de dois GP's

por Tiago Crispim, em 28.03.12

Normalmente a análise seria feita na semana depois de uma corrida mas como falhei essa mesma análise no GP da Austrália, achei melhor fazer um resumo, por equipa, do que podemos antever para as próximas provas do campeonato.

 

McLaren Mercedes: 55 pontos

A McLaren optou por não seguir a tendência e apresentou um carro com um nariz mais convencional. As dúvidas sobre a filosofia de design da equipa de Woking terminaram imediatamente na qualificação da primeira corrida, depois de uma série de testes que não prometeram nada. O que mais uma vez prova que em termos de velocidade os testes não são indicativos de nada. Lewis Hamilton conseguiu a pole position nas duas corridas até agora, mas sem vitórias. O britânico parece mais concentrado este ano (embora ainda seja cedo para confirmar) mas Jenson Button continua a dar-se melhor com os pneus Pirelli. De certa forma parece até estar mais à vontade que Hamilton, que deve sentir carregar o peso dos media atrás.

 

Red Bull Racing Renault: 42 pontos

 

O novo RB8 de Adrian Newey continua a ser um excelente carro mas este ano, com a proibição dos difusores traseiros aspirados, a equipa austríaca fica mais em pé de igualdade com as suas antagonistas. Curiosamente é Mark Webber que lidera os pontos entre os dois pilotos da marca. A razão é que Vettel fez uma fraca corrida na Malásia, com problemas no rádio e depois um toque no HRT de Narain Karthikeyan que o deixou fora dos pontos, e deixou o indiano com uma penalização para a corrida seguinte. É contudo ainda cedo afastar o alemão do campeonato, e não se espera que a Red Bull fique parada face à evolução das outras equipas.

 

Ferrari: 35 pontos

A Ferrari surge neste campeonato com muito pouca confiança no seu novo carro, depois dos testes em conjunto. Será que o Ferrari F2012 está ao nível, quer dos McLaren, quer dos Red Bull? De qualquer das maneiras, Fernando Alonso é um piloto que consegue extrair mais do que o carro parece dar. Felipe Massa retirou-se na primeira corrida e terminou a segunda em 15º e o seu companheiro de equipa levou o carro a quinto e a primeiro, o que faz dele o primeiro da tabela de pilotos. Cabe à Ferrari aproveitar o bom momento do espanhol e continuar a dar-lhe um carro competitivo. Quanto a Massa, é deixar o ano passar...

 

Sauber Ferrari: 30 pontos

Com apenas menos cinco pontos que a equipa que lhes fornece os motores, a Sauber está a surpreender. Continuo a achar Kamui Kobayashi e Sérgio Pérez uma das melhores duplas em pista e este ano o mexicano, perito em levar os pneus Pirelli muito além da quilometragem recomendada, esteve perto de vencer o GP da Malásia. Infelizmente uma pequena saída de pista ditou que terminasse no segundo lugar. É o primeiro pódio para Pérez, que antes tinha como melhor marca um sétimo lugar. Kobayashi desistiu na última corrida mas antes terminou em sexto, indicação que este Sauber C31 ainda pode surpreender no meio da tabela.

 

Lotus Renault: 16 pontos

A Lotus apostou em grande com o regresso de Kimi Raikkonen à F1. O campeão de 2007 ainda não surpreendeu mas notou-se, no seu regresso, que a dificuldade de adaptação às novas regras e carros não foi tão complicada como a de Schumacher. Raikkonen está em sétimo da geral com 16 pontos, um sétimo e um décimo. O que não é nada mau tendo em conta que são todos os pontos desta equipa. É que o francês Romain Grosjean, que tem desta feita a segunda hipótese com a equipa, depois de ter corrido no lugar de Nelson Piquet Jr, ainda não terminou qualquer prova. Grosjean tem feito boas classificações, agora só falta saber em que lugar fica se levar o carro até à bandeira de xadrez.

 

Force India Mercedes: 9 pontos

A Force India livrou-se de Adrian Sutil e promoveu Nico Hulkenberg, um bom piloto e com mais margem de progressão que o seu antecessor. Manter Paul Di Resta era básico, já que ele foi considerado o estreante do ano (à frente de Pérez porque terminou com mais pontos). A Force India é assumidamente uma equipa de meio do pelotão mas se Pérez consegue chegar ao pódio, porque não há Di Resta de sonhar? Afinal de contas foi ele que roubou o primeiro ponto a Jean-Eric Vergne na Austrália, mesmo em cima da reta da meta.

 

Williams Renault: 8 pontos

A temporada de 2011 foi desastrosa para a equipa. A Williams terminou num desapontante nono lugar, acima das estreantes. Este ano com a mudança para motores Renault, uma parceria que visa não só evocar os Williams vencedores da década de 90 como também ir buscar o motor à equipa campeã do mundo, a Red Bull, a coisa parece estar a compôr-se. Pastor Maldonado mostrou na abertura do campeonato que Frank Williams pode ter razão ao descrever o venezuelano como um bom piloto com bons patrocinadores, em vez de um pay-driver. Vamos ver se mantêm a performance, se não se atira contra o muro como na Austrália ou se anda apagado como na Malásia. Na ásia quem brilhou foi Bruno Senna, que é o responsável pelos pontos da equipa até agora, graças a um sexto lugar.

 

Toro Rosso Ferrari: 6 pontos

 

A prova que não basta um motor Ferrari ou ser a irmã mais nova da Red Bull para ganhar corridas. Claro que não é esse o objetivo da Toro Rosso, uma espécie de estágio para a Red Bull. Este ano com dois novos pilotos, Daniel Ricciardo, que andou a ganhar experiência e sobretudo a formar carácter na HRT, já que mais depressa que vá, parece que está parado; e Jean-Eric Vergne, que participou no Young Drivers Programme da temporada passada e terminou em segundo na Fórmula Renault 3.5. O francês tem mais dois pontos que o canadiano apesar de ter terminado nos lugares pontuáveis apenas uma vez, na Malásia. Na Austrália viu os pontos sumirem com o Force India de Paul Di Resta. Ainda não consigo fazer grandes previsões a esta equipa e pilotos, vamos lá a ver como se portam na China.

 

Mercedes: 1 ponto

Esta equipa não está na F1 para brincadeiras. Não foi por isso que compraram a Brawn GP no final de 2009, contrataram Nico Rosberg e desenterraram, perdão, des-reformaram Michael Schumacher. Contudo a equipa não parece cumprir o que promete. Os melhores resultados foram três terceiros lugares, todos de Rosberg. Este ano apresentaram o carro sem grande fanfarra mas pareciam prometer nos treinos. Duas corridas depois, Schumacher tem o único ponto da equipa por ter terminado em décimo na Malásia. Bons na qualificação, precisam de melhorar a fiabilidade do seu W03 que querem voltar a pisar os calcanhares das principais equipas. É que qualquer dia a Mercedes farta-se e prefere apoiar apenas a McLaren.

 

Caterham Renault: 0 pontos

A Caterham (ex-Lotus) tenta à força demarcar-se das restantes estreantes. Este ano adoptou o KERS e na prática está algures entre as equipas de meio do pelotão e as mais recentes. Talvez este ano com sorte e um safety car oportuno consiga finalmente chegar aos pontos. A contratação de Vitaly Petrov mesmo em cima do campeonato, foi uma jogada arriscada mas certa. Não só em termos de patrocinadores por ter o único piloto russo. De facto Petrov tem jeito para a coisa. Na Austrália ambos os carros desistiram com problemas semelhantes na direção do carro e na Malásia o russo ficou atrás de Massa, o que não é mau, mais em demérito do brasileiro do que outra coisa.

 

Marussia Cosworth: 0 pontos

Charles Pic faz este ano parceria com o eterno Timo Glock, que teve o maior dos azares por a Toyota ter desistido da competição. O alemão precisa de ser duro para se manter na F1 depois de ter andado numa equipa com bastantes meios. Já Pic chega à F1 depois de um quarto lugar na GP2, nunca tendo ganho um campeonato. Parece que o mentor de Pic é Olivier Panis e pode ser que isso seja a explicação para qualquer coisa.

 

HRT Cosworth: 0 pontos

A Hispania tenta ser uma equipa séria, se levarmos em conta os comunicados da equipa. De facto tem uma nova direção e talvez toda a vontade do mundo, mas continua a sofrer com as finanças. Penso que Luis Pérez-Sala deve revirar os sofás dos amigos à procura de mais uns tostões. A equipa demorou a fazer o carro, chumbou no primeiro crash-test (tal como a Marussia) e chegou à Australia com um carro, o de Pedro De La Rosa, ainda por montar. O resultado, sem surpresas, foi uma não qualificação para o GP de Melbourne, o que aliás já começa a ser habitual. É louvável que De La Rosa, aos 41 anos, ainda tenha vontade de se juntar a um projeto como este. É certo que é espanhol, tem um ex-piloto à frente e tem capacidade para evoluir, se os astros alinharem. Mas será que há tempo para isso? Para percebermos melhor veja-se o caso do GP da Malásia em que, Narain Karthikeyan partiu com pneus de chuva. Choveu e o indiano viu o seu HRT em décimo quando a corrida foi interrompida. Mas mal recomeçou, o HRT voltou lá para trás, não sem antes levar com a asa dianteira de Button num pneu. De qualquer das maneiras foi uma vitória para a HRT. Os dois carros cruzaram a meta na primeira corrida que disputaram este ano, com muito poucas voltas de teste.

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publicado às 15:40

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O Volta Mais Rápida é um blog sobre F1. O autor é um curioso, apaixonado pela Fórmula Um desde que se lembra, embora a sua carreira ao volante se fique pelos karts e pela Playstation. Trabalhou em alguns meios de comunicação como jornalista e hoje é técnico de rádio na Universidade Autónoma de Lisboa. Neste espaço quer dar a conhecer melhor o universo deste desporto e talvez despertar a atenção e a curiosidade de alguns interessados.



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