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Análise ao GP da Índia - Buddh 30-10-2011

por Tiago Crispim, em 31.10.11

Hoje não há podcast mas não é por isso que deixa de haver uma análise ao GP da Índia...

 

 A partida do primeiro GP da Índia

 

A estreia de um circuito novo é sempre uma incógnita. Os pilotos habituaram-se ao traçado da pista através de simuladores mas na vida real as condições podem ser muito diferentes. Como vai estar o clima? Como é a superfície da pista? E a aderência?

Felizmente para os organizadores e promotores deste evento essa parte correu sem problemas. Apesar de a F1 practicamente estrear o alcatrão do circuito, os carros não patinaram com a falta de borracha na pista, o tempo estava bom e o circuito é bem desenhado.

Confesso que à partida a pista não me pareceu muito emocionante mas as elevações e a enorme recta acabaram por ganhar o meu respeito.

Antes de partir para a análise da corrida em si, quero só referir que a Índia, e não a Coreia do Sul, por exemplo, é um bom sítio para a F1.

O desporto tem de estar nos locais em que as pessoas estejam interessadas em vê-lo e não apenas onde está o dinheiro. Mas como isso dá, como se diz em Portugal, pano para mangas, ficará para outro post.

 

Vettel a mostrar para que é que servem as taças

 

Para não variar, Sebastian Vettel dominou o Grande Prémio da Índia, desde a qualificação de sábado até à bandeira axadrezada de domingo. Uma corrida sem falhas da parte do alemão que vence a 11ª corrida das 17 já passadas e bate o record de Nigel Mansell no número de voltas ao comando numa única sessão. Ainda assim o alemão teve sempre por perto o McLaren de Jenson Button, que confirma a sua boa forma. É pena que a equipa inglesa não tenha um carro equivalente ao excelente RB7 mas mesmo assim Button está no topo da sua forma. Ultrapassou Webber na primeira volta e esteve quase toda a corrida a cinco segundos de Vettel.

 

O companheiro do alemão da Red Bull partiu de segundo e terminou em quarto depois de ser ultrapassado por Fernando Alonso, que apesar de um mau arranque (alargou demasiado na primeira curva), ultrapassou Mark Webber na volta 39, altura da última troca de pneus.

 

A homenagem de Trulli a Marco Simoncelli

 

Atrás de Vettel, Button, Alonso e Webber ficaram os dois Mercedes, primeiro Schumacher e depois Rosberg. Michael Schumacher fez um bom arranque e ganhou logo três lugares mas passou quase toda a corrida atrás do seu companheiro de equipa. Foi só lá para o final que conseguiu ultrapassar Nico Rosberg, graças a uma troca de pneus tardia, à volta 50. E pareceu-me que nem foi preciso recorrer às ordens de equipa; Schumacher teve foi uma boa estratégia ao deixar para o final os pneus macios, já que Rosberg estava com os mais duros.

 

O sétimo foi Lewis Hamilton, que mais uma vez esteve envolvido num acidente, que mais uma vez foi com Felipe Massa, que mais uma vez implicou uma penalização, mas que desta vez o brasileiro é que a sofreu. Hamilton já tinha sido penalizado antes da partida (houve muitas penalizações antes da corrida, por motivos variados. Hamilton perdeu três lugares por ter feito a volta de qualificação sob bandeira amarela), o que o deixou atrás de Massa. O inglês estava por dentro numa curva à esquerda e Massa, que afirma que não estava à espera de encontrar um McLaren ali, cortou para dentro a curva, já que estava no lado limpo da pista. O brasileiro foi penalizado e acabou por desistir com uma suspensão partida por ter andado a cortar os cantos e subir os correctores da pista. A meu ver a penalização pendeu para o lado certo, já que Hamilton estava a meio do Ferrari o que obrigava o brasileiro a deixar espaço.

 

Felipe Massa a ser perseguido por Lewis Hamilton

 

Jamie Alguersuari continua a fazer boas corridas. Levou o Toro Rosso até ao oitavo lugar depois de ter partido de décimo. O seu companheiro de equipa, Sebastien Buemi, desistiu da corrida com problemas no carro quando seguia em décimo lugar.

 

Em nono ficou Adrian Sutil que fez o melhor resultado da Force India nesta corrida, a equipa mais indiana da F1 apesar de não ter pilotos indianos. O holandês utilizou uma estratégia completamente diferente de Paul Di Resta e saiu-se bem, ao terminar à frente de Sérgio Pérez. Já Di Resta acabou em 13º.

 

Sérgio Pérez está, e eu não me canso de dizer isto, a fazer uma grande temporada de estreia. Depois do grave acidente que sofreu no Mónaco, o piloto mexicano corre cada vez melhor. Pérez começou em 20º tendo sido penalizado, tal como Hamilton, no sábado, mas com duas paragens apenas conseguiu subir dez posições. No outro Sauber, Kamui Kobayashi não teve hipóteses de fazer uma volta sequer porque na primeira curva, para não levar com o Williams de Barrichello, desviou-se e foi bater em Timo Glock.

 

O Sauber de Sérgio Pérez à frente do Renault de Vitaly Petrov

 

Em 11º e 12º ficaram os dois Renault. Petrov foi melhor que Bruno Senna e depois de um bom arranque, a equipa parece que está a perder qualidades, provavelmente porque não estão a fazer melhoramentos ao carro, ou porque não os fazem tão a tempo.

 

Atrás, Heikki Kovalainen continua as boas performances. Quando era piloto da McLaren e companheiro de equipa de Hamilton não valia grande coisa mas parece que agora anda mais motivado. Um piloto que dificilmente será campeão na sua carreira na F1 mas que está a fazer maravilhas com a Lotus. O outro Lotus foi "arrumado" no acidente da primeira volta (Trulli chegou ao fim mas em último) mas Kovalainen chegou a andar em 10º antes da primeira troca de pneus.

 

Os dois Williams estiveram envolvidos no tal acidente da primeira volta e Rubens Barrichello teve de trocar de asa dianteira. Ao tentar defender-se de Kobayashi foi bater em Pastor Maldonado, seu companheiro na Williams. Ainda assim levou o carro ao final em 15º, ao passo que o venezuelano teve um problema de caixa e desistiu.

 

O único piloto indiano em prova, Narain Karthikeyan, num HRT com publicidade(!)

 

Jérôme D'Ambrosio foi 16º e o único dos Virgin a terminar, já que Glock ficou na primeira curva depois de levar com Kobayashi. O piloto belga conseguiu passar os HRT graças à sua estratégia nas boxes.

 

Narain Karthikeyan foi o piloto da HRT este fim-de-semana, depois da Lotus decidir não contar com Karun Chandok, o seu piloto de testes. O único piloto indiano em pista foi 17º e dentro das suas possibilidades não esteve assim tão mal. Ao menos bateu Daniel Ricciardo no outro HRT. Até tinha ficado à frente de D'Ambrosio mas teve de trocar de pneus a dez voltas do final.

 

Estamos já no final do campeonato mas ainda temos mais duas corridas até terminar a temporada. A próxima é em Abu Dhabi, dia 13 de Novembro.

 

Fotos de F1 Fanatic.

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publicado às 16:07

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O Volta Mais Rápida é um blog sobre F1. O autor é um curioso, apaixonado pela Fórmula Um desde que se lembra, embora a sua carreira ao volante se fique pelos karts e pela Playstation. Trabalhou em alguns meios de comunicação como jornalista e hoje é técnico de rádio na Universidade Autónoma de Lisboa. Neste espaço quer dar a conhecer melhor o universo deste desporto e talvez despertar a atenção e a curiosidade de alguns interessados.



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