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Jochen Rindt: O campeão póstumo

por Tiago Crispim, em 24.10.11

As mortes recentes de Dan Wheldon e Marco Simoncelli são o pretexto para falar de Jochen Rindt, o único campeão de F1 póstumo.

 

Porque mortes nos desportos motorizados há muitas, mesmo actualmente com todas as regras de segurança. E na falta de tempo para lembrar todos os pilotos que morreram em provas, nomeadamente na F1, que é o tema deste blog, lembramos apenas um. Já se fez aqui podcasts e posts sobre Ayrton Senna, Elio de Angelis, Ronnie Peterson e outros, que podem ser encontrados pelo separador "pilotos" no topo deste blog.

 

 

O ídolo de Jochen Rindt era Wolfgang Von Trips, piloto alemão de uma família nobre da zona do Reno, ele que também morreu em 1961, no Grande Prémio de Itália. Podia ter sido ele o primeiro campeão póstumo mas Phil Hill ficou à frente, com mais um ponto.

 

Jochen Rindt, que foi criado pelos avós na Áustria, era de nacionalidade alemã. Correu sempre com uma licença austríaca mas nunca mudou a sua nacionalidade. Para todos os efeitos os austríacos dizem que Rindt é do país deles e ele foi o grande responsável pelo interesse da Áustria na F1. Naquele país o momento da morte de Rindt é um daqueles em que todos se lembram do que estavam a fazer então.

 

Consta que era rebelde e teve vários problemas com a polícia devido ao seu apetite pelo acelerador e desafios à autoridade. Quando começou a correr em motas de motocrosse, ou ganhava ou batia. Aí começou a sua fama como piloto destemido. São várias as histórias que se contam sobre ele acerca disso (conto uma delas no podcast). Muito ambicioso e tão confiante que se tornava arrogante, Rindt não ligava muito à aparência e usava pedaços de fio para atar os sapatos. Um dia perguntaram-lhe se era frequente pilotar além dos seus limites, ao que o austríaco retorquiu “alguma vez conduzi dentro dos limites?”. Mas ao mesmo tempo que podia ser uma pessoa pouco diplomática, teve grandes amigos no paddock, como Jackie Stewart, Jack Brabham, Piers Courage e Bruce McLaren, ao mesmo tempo os seus maiores rivais.

 

Durante o seu segundo ano na F1 venceu as 24 Horas de Le Mans, ao volante de um Ferrari 275LM partilhado com o Norte-Americano Masten Gregory. Mas a primeira vitória no grande circo ainda estava para vir. Foi só em 1969, depois de quatro anos na categoria com a Cooper e a Brabham, que Rindt venceu com um Lotus.

 

Rindt ao volante do Ferrari 275LM com o qual venceu em Le Mans, em 1965.

 

Os Lotus que sempre tiveram fama de rápidos e inseguros mostraram-se assim mesmo no Grande Prémio de Espanha, no circuito de Montjuic.

A asa traseira de Rindt partiu-se e o piloto foi bater no carro do companheiro de equipa, Graham Hill, que já se tinha acidentado pela mesma razão. O austríaco teve um traumatismo craniano e partiu o maxilar. A partir daí começou a criticar os Lotus pela sua falta de segurança. Também reclamou sobre o uso de apoios aerodinâmicos, ou seja as asas. Mas como alcançou a sua primeira vitória em Watkins Glen, EUA, não deve ter ficado totalmente descontente.

 

O acidente de Rindt no Grande Prémio de Espanha em 1969.

 

Nessa corrida o seu companheiro de equipa teve um grave acidente quando foi cuspido do carro e partiu ambas as pernas. Isto só para por em perspectiva a segurança da F1 na altura e também dos carros da equipa de Colin Chapman.

 

1970 foi a última temporada de Jochen Rindt na F1, mas também aquela que lhe deu um título. Só que essa história merece um post só para ela.

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publicado às 12:02

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2 comentários

De sentinelasdosanimais a 25.10.2011 às 20:20

Eu lembro do tempo que a gente apostava pra saber quem iria morrer na corrida. A F1 era isso emoção a flor da pele. Agora a segurança trouxe a chatice, quando morre alguém todo mundo se espanta.

De Tiago Crispim a 26.10.2011 às 15:14

Percebo o que diz até certo ponto mas não devia ser normal vermos pilotos morrer e achar isso parte do desporto.

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Onde é que veio parar?

O Volta Mais Rápida é um blog sobre F1. O autor é um curioso, apaixonado pela Fórmula Um desde que se lembra, embora a sua carreira ao volante se fique pelos karts e pela Playstation. Trabalhou em alguns meios de comunicação como jornalista e hoje é técnico de rádio na Universidade Autónoma de Lisboa. Neste espaço quer dar a conhecer melhor o universo deste desporto e talvez despertar a atenção e a curiosidade de alguns interessados.



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